Opinião - 03/03/2018 - 04:54:20

 

Os amigos de meu pai

Os amigos de meu pai

 

Vicente Barone * .

Foto(s): Divulgação / Arquivo

 

Vicente Barone é analista político, editor chefe do Grupo @HORA de Comunicação, foi executivo de marketing em empresas nacionais e multinacionais, palestrante nacional e internacional em marketing social, cultural, esportivo e trasnporte, além de ministrar aulas como professor de 3º

Vicente Barone é analista político, editor chefe do Grupo @HORA de Comunicação, foi executivo de marketing em empresas nacionais e multinacionais, palestrante nacional e internacional em marketing social, cultural, esportivo e trasnporte, além de ministrar aulas como professor de 3º" e 4º graus


A corrupção, herdada da corte portuguesa que se instalou no Brasil com o fugitivo europeu, era tolerada pela Corte e ignorada pela Justiça e se perdia nos meandros dos corredores do palácio imperial.

"Mas as práticas clientelistas, ou seja, o favorecimento dos amigos à margem da lei, eram vistas pelos chefes políticos como indispensáveis para manter e conquistar apoio político", afirma o historiador José Murilo de Carvalho.

Pouco mudou neste cenário 67 anos depois da independência, em outro grande momento da histórica política do Brasil: a proclamação da República, em 1889. De acordo com Carvalho, o patrimonialismo e o clientelismo, embora entrassem em conflito como os valores republicanos, continuaram presentes no novo sistema.

Os valores republicanos, sobretudo a valorização da coisa pública e sua distinção da coisa privada, até hoje não foram totalmente absorvidos no Brasil por ricos ou pobres.

"A proclamação da República implicou mudança na forma de governo, não nos valores", ressalta Carvalho.

Apesar da propagação de determinadas práticas, ocorreu ao longo da história uma mudança na maneira como essas ações eram vistas pela sociedade. Um exemplo seria o pagamento de propina: que foi tolerado no período colonial e que, mais tarde, passou a ser considerado corrupção. Há também uma transformação na percepção da própria corrupção em si.

Somente a partir de 1930 começa uma mudança neste entendimento, que culmina na alteração do seu sentido, em 1945, com a criação da União Democrática Nacional (UDN), que passou a associar a corrupção a indivíduos. Anos depois, acusações de corrupção individual resultaram na queda de Getúlio Vargas, acusado de ter criado um mar de lama no Catete.

Mesmo com a mudança de percepção, com indivíduos sendo acusados nominalmente, a corrupção continuou encontrando terreno para se manter presente na esfera pública. Essa persistência, de acordo com especialistas, se deve principalmente à impunidade.

Outro fator que contribuiu para a situação atual, inédita no que se refere à dimensão adquirida pela corrupção, foi a tradição de impunidade dos poderosos, essa sim, presente desde a Independência, e que atribuo à fragilidade dos direitos civis.

Vários privilégios protegem os poderosos, como o foro privilegiado, a prisão especial, as múltiplas possibilidades de recurso e a capacidade de contratar advogados caros.

A impunidade, assim como a corrupção, também faz parte da cultura brasileira e impediu o combate a essas práticas ao longo da história.

Meu velho pai, nascido no início do século passado, era comerciante e tinha muitos amigos, tanto no Mercado Municipal, na capital, como no interior rural e urbano do Estado.

Naquela época a amizade valia muito. Ser amigo de alguém era um compromisso de verdadeira fidelidade, honestidade e hombridade. Quem nunca ouviu a frase "vale o fio do bigode".

Segredos eram trocados e fortemente guardados. A amizade entre eles era pura e não puro coleguismo ou de interesses econômico-financeiro, o conhecido toma-lá-dá-cá..

Mas nunca poderia imaginar que "o amigo do meu pai" seria um codinome para uma conta corrente de propina com uma das maiores empreiteiras do mundo.

Os amigos de meu pai já faleceram fazem muitas décadas, mas os valores que meu pai e seus amigos me deixaram serão perenes - Lealdade, Honestidade e Hombridade, fato que hoje passa longe dos corredores palacianos.

* Vicente Barone é analista político, editor chefe do Grupo @HORA de Comunicação, esteve à frente de diversas campanhas eleitorais como consultor político e de marketing, foi executivo de marketing em empresas nacionais e multinacionais, palestrante nacional e internacional para temas de marketing social, cultural, esportivo e de trasnporte coletivo, além de ministrar aulas como professor na área para 3º e 4º graus - www.barone.adm.br

 



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